Revista Higiplus 48

50 HIGIPLUS | 2º TRIMESTRE/2018 ARTIGO | POR: FRANCISCO PIMENTA* CIDADES COMO SÃO PAULO, RIO DE JANEIRO, dentre inúmeras outras no nosso país, possuemhistórias lon- gas.Issofazcomquemuitasdassuasconstruçõessejamantigas, em parte por um uso contínuo desses prédios, e também em grande parte pela preservação histórica. O problema é quando esses edifícios possuem proble- mas de saúde que não são imediatamente notados, pois são problemas de saúde estrutural, uma doença da construção, por assim dizer. Uma delas é a SED, Síndrome do Edifício Doente que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saú- de), é definida como "um conjunto de doenças causadas ou estimuladas pela poluição do ar em espaços fechados". Estes espaços fechados, em suamaioria, são as grandes edificações que começaram a surgir na década de 1970 e hoje são os lugares onde passamos a maior parte de nosso tempo. Em casos extremos, chegamos a ter construções dofimda década de 1930. Prédios de serviços públicos ou de empresas mais antigas no centro da cidade, e até mesmo residências, são os principais focos do SED. É possível notar essas construções pelo estilo arqui- tetônico da época, pelo tamanho, pela ausência de tecnolo- gias que só vieram a surgir mais adiante e que não foram atualizadas na construção. No caso de riscos à saúde é que temos um problema. A SED pode ser percebida quando, em pelo menos 20% dos usuários (ocupantes) destas grandes edifições, aparecem sintomas como: dor de cabeça, náu- seas, ardor nos olhos ou coriza. A existência da SED só foi reconhecida pela OMS na década de 1980, quando houve uma contaminação coletiva de pneumonia num hotel na Filadélfia, o que ocasionou a morte de 29 pessoas. NoBrasil, ocasomarcante foi nofimdadécadade1990, quando morreu o então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, em função do agravamento de seu quadro clínico que, segundo consta, foi devido à presença de fungos no ar. De acordo com especialistas no assunto, a SED não provoca doenças, mas pode colaborar para agravar males em pessoas pré-dispostas ou até mesmo provocar um estado passageiro. Ou seja, quando estas pessoas saemdas edificações consideradas com SED os sintomas desaparecem. Numa outra linha de raciocínio, a SED pode provocar algumasdoenças compartilhadas.Umexemploclássicodissoé o casoda já citada contaminação coletivanohotel naFiladélfia (EUA), em 1976, pela bactéria Legionella pneumophila a qual causou uma forma rara e grave de pneumonia. Um dos grandes problemas é que não temos ideia de quantos prédios hoje sofrem disso nas grandes metrópoles. Este é um dado difícil de se adquirir, talvez por medo dos responsáveis pela administração dos prédios em passar a informação. Porém, segundo a própria OMS, pelo menos 30% das edificações em todo o mundo sofrem de SED. No Brasil, este número pode chegar a 50%. São números alar- mantes, mas que não tocam as autoridades competentes, surpreendentemente. Amelhor forma de combater (ou evitar) a SEDé, entre outras, manter o ambiente limpo, ter controle sobre a quanti- dade e qualidade dos produtos de limpeza e conceber umbom sistema de ar condicionado, desde o seu projeto, passando pela instalação e comissionamento, até uma manutenção com qualidade. Os cuidados comoprédio fazemmuitadiferença, então estar atento a isso é tarefa da administração, mas também pode ser motivada por um olhar cuidadoso e proativo dos ocupantes em geral. • * FranciscoPimenta é engenheiro emembro do DepartamentoNacional de Projetistas e Consultores daAbrava (AssociaçãoBrasileira deRefrige- ração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento). Síndromedo EdifícioDoente: suasaúdepode estaremperigo? © 2009-2018. Depositphotos Inc., EUA.

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