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Iniciamos este artigo, com um breve relato a respeito
da engenharia não convencional. Em engenharia trabalha-se com Projeto de
Experimento, que é uma abordagem técnica especializada que objetiva
mensurar por medição, os efeitos de variáveis do processo
por meio da realização de experimentos.
Um experimento é um procedimento no qual são feitas alterações
propositais nas variáveis de modo que se possa avaliar as possíveis
alterações nas respostas ou resultados. Um projeto de experimentos
consiste de uma sequência de experimentos em que são feitas alterações
simultâneas em diversas variáveis segundo um arranjo ortogonal, possibilitando
com relativamente poucos experimentos medir com precisão o efeito de várias
variáveis.
Agora vamos ao assunto do dia. “Engenharia”
da Limpeza”
Quando o assunto é a terceirização dos serviços de
Higienização e Limpeza pode-se observar outro panorama, com os segmentos
de hospitais, shoppings, hotéis, complexos corporativos e plantas industriais
estando inseridos neste mercado.
Nestes segmentos, existem os que já nasceram com as atividades de Limpeza
terceirizada e possuem esta cultura, e os que ainda não demonstram interesse
em terceirizar, por diversas razões e paradigmas praticados. São
neles, portanto, que o trabalho de convencimento é longo e requer profunda
argumentação e contra-argumentação para que as prestadoras
consigam uma abertura para apresentar a proposta de um projeto-piloto, podendo
o processo levar meses ou até anos.
Façamos, agora, uma rápida análise de como cada um destes
segmentos encara a contratação de serviços de limpeza:
-
Setor de shoppings: é
aquele onde existe a maior cultura para terceirizar os serviços. Por outro
lado, é também aquele que exige sempre o menor investimento e uma
grande qualidade nas operações, tornando complexa a conciliação
de um nível de qualidade de padrão internacional com o baixo custo
desejado. Por isso, o volume de contratos é importante para viabilizar
a operação neste segmento. Universidades também se enquadram
nesta divisão.
-
Complexos corporativos:
repete-se aqui a situação do setor anterior, por se tratarem de
condomínios onde os custos de Limpeza são repassados aos locatários
e proprietários, que nunca aceitam facilmente o aumento das cotas condominiais.
A exceção fica por conta dos edifícios-sede de grandes corporações,
que não estão preocupadas somente com o menor custo, exigindo também
qualidade.
-
Complexos multi-corporativos:existe
ainda a agravante do gerenciamento normalmente efetuado por terceiros, que sempre
forçam o menor custo, mas exigem excelente qualidade dos serviços.
Como os inquilinos e proprietários querem cotas de condomínio sempre
reduzidas, ninguém deseja sequer ouvir falar em aumento das cotas para
melhoria da qualidade dos serviços de Limpeza e, por isso, nem sempre o
melhor serviço é contratado.
-
Setor hospitalar: neste
segmento, o mais importante é a quebra de paradigmas, uma vez ser comum
a premissa de que a equipe própria garante mais segurança, menos
riscos e melhor comprometimento. De forma muito lenta, este conceito está
mudando e alguns hospitais já terceirizam sua Limpeza, em número,
entretanto, ainda incipiente. Resta, assim, um trabalho de médio e longo
prazos a ser desenvolvido pelas prestadoras.
-
Mercado hoteleiro: persiste
aqui quase o mesmo paradigma dos hospitais com relação à
equipe própria: priorização e garantia da segurança
de seus hóspedes, respeito aos mesmos e confiabilidade nas operações.
Embora já existam diversos hotéis com serviços de Limpeza
terceirizados, este é um mercado ainda em desenvolvimento, necessitando
de um trabalho de convencimento de que a terceirização pode trazer
redução de custos, otimização de recursos e o emprego
de equipes bem treinadas e atualizadas nas melhores e mais modernas técnicas
da Limpeza eficiente e e ficaz.
-
Setor industrial: este
é o mercado de 1ª linha que todas as prestadoras de serviços de
limpeza priorizam em seu planejamento, pois desejam ter este segmento em seu portfolio.
Nele, os clientes fazem questão de pessoal qualificado, treinado e que
fale a mesma linguagem técnica, exigindo, ainda, uma relação
de confiança com os terceiros. Neste segmento, não é somente
o custo que decide, até porque há segredos industriais envolvidos
e, normalmente, os contratos possuem, no mínimo, 24 meses de duração,
com opção de renovação por igual período, o
que permite estabilidade e confiança mútua entre o tomador e o prestador
dos serviços. Há um comprometimento de parceria de ambas as partes
para otimização dos recursos e alcance de índices de desempenho
de excelência.
Ainda na limpeza industrial, a higienização interna de tubos, caldeiras
e tanques, são integrantes de critérios perfeitos, e ampla ligação
com a engenharia de manutenção.
Sempre que estamos frente a um projeto destinado a instalações
sanitárias não devemos pensar apenas em atingir as metas de capacidade
de produção, mais também as metas de qualidade obtidas por
uma limpeza adequada dos sistemas após cada etapa ou batelada de produção,
e desta forma existem Normas, Regulamentos e Portarias que determinam qual é
o nível mínimo aceitável de limpeza para as instalações
antes de começar uma produção.
As instalações sanitárias que requerem este tipo de tratamento
são principalmente as existentes nas Indústrias Alimentícias,
Cosméticas, Farmacêuticas e de Biotecnologia, e é aqui onde
nasce a necessidade da inclusão dos diferentes sistemas de limpeza para
cada aplicação específica.
Podemos dizer que dependendo das exigências do produto manufaturado, os
sistemas de limpeza serão mais ou menos estritos quanto a sua concepção,
capacidade de limpeza e efeito final nas instalações lavadas, sanitizadas
ou esterilizadas.
Conforme estas exigências, podemos separar os sistemas de lavagem, sanitização
e esterilização como segue:
-
Sistema de lavagem " Washing in
Place" - WIP
-
Sistema de lavagem por arraste - PIG
-
Sistema lavagem "Cleaning in Place"
- CIP
-
Sistema de sanitização e/ou
esterilização "Steam in Place" - SIP
Cada um destes sistemas atinge um padrão de sanitariedade
diferente sendo necessário estabelecer qual é o sistema mais indicado
para cada instalação. Dependendo da complexidade das instalações,
estes sistemas poderão ou deverão ser incluídos nos projetos
isoladamente ou combinados de acordo com as exigências do produto final.
Se houver interesse podremos enviar matérias complementares.
Neste segmento, há indústrias que já nasceram com a limpeza
terceirizada, e outras não, existindo, até mesmo, casos de tal duplicidade
em um mesmo conglomerado empresarial. Em resumo, trata-se de um setor que normalmente
exige qualidade e confiabilidade dos serviços e da equipe, devendo ser
realizados por empresa idônea e reconhecidos no mercado por sua seriedade
e comprometimento. Nessa linha, cabe ainda enfatizar que, conforme já mencionado,
o custo dos serviços é, evidentemente, um fator muito importante,
mas não o principal para que um contrato venha ou não a ser fechado.
Veremos agora, em linhas gerais, como se desenvolve o
processo de contratação e as questões básicas que
o propenso tomador de serviços de Limpeza costuma considerar, avaliar e/ou
formular ao buscar um eventual prestador:
-
Quantas pessoas vou ter que demitir?
-
Quanto essas demissões vão
nos custar?
-
Vamos reduzir custos com a terceirização
ou não? Quais as vantagens do processo?
-
Estamos pensando somente em reduzir custos
ou em contar com um parceiro de longo prazo, que disponibilize pessoal sempre
atualizado e treinado? Quem vai cuidar de nossa atividade-meio, para que possamos
pensar somente em nosso core-business e na melhoria contínua de nossa qualidade?
-
Quanto vamos reduzir por mês em nosso
atual custo de Limpeza? E qual será o pay-back do nosso custo de demissões?
-
Estamos convictos de que a atividade de
Limpeza não é parte integrante de nosso core business e sim uma
atividade-meio?
-
Os sistemas críticos de Limpeza
de máquinas e equipamentos que podem afetar a produção continuarão
sob nossa responsabilidade ou serão também terceirizados? Quais
são os riscos?
-
A gestão dos equipamentos, acessórios
e produtos de Limpeza irá ou não continuar conosco?
Sem dúvida, apenas estes 7 itens são motivo
de muitas horas de conversa e reflexão no âmbito da equipe técnica
do futuro contratante, levando eles, em média, de 2 a 5 meses - e até
mais, em muitos casos - para serem inteiramente digeridos É assim que funciona
este mercado no Brasil.
Em se tratando de Departamentos Comerciais de empresas de médio/grande
porte, não se fecham 10 ou 15 contratos por ano (por vendedor) porque,
por exemplo, para assinar um contrato de média monta (entre R$ 50
e 70 mil mensais), leva-se de 3 a 8 meses entre a primeira reunião e o
efetivo fechamento, salvo exceções emergenciais.
Neste negócio pensa-se, portanto, nos médios e longos prazos, com
as decisões passando por vários processos de avaliação
no futuro cliente, incluindo os níveis gerenciais da operação
da Limpeza.
Assim, as empresas prestadoras de serviços devem estar preparadas para,
às vezes, esperarem 3, 4, ou até 5 meses para agendar uma reunião
de apresentação com aqueles que possuem poder decisório para
implantar um determinado projeto. Por isso, tal reunião é sempre
uma oportunidade que deve ser muito bem aproveitada, buscando o convencimento
do quanto é salutar uma parceria do tipo ganha-ganha, por meio da utilização
de profundo conhecimento técnico, firmeza, seriedade e confiabilidade nos
argumentos, além de sólidas referências de mercado.
Concluindo, vale sempre frisar que terceirizar não é empreiteirizar;
terceirizar é uma condição de parceria de longo prazo, confiança
mútua e visão de ganha-ganha entre o contratante e o contratado.
Tenho comentado nas palestras técnicas sobre o panorama da Limpeza Institucional:
“Limpeza como ela é”, pois temos notado a necessidade de novas
premissas na forma de Julgamento e Check-up da Limpeza e Higienização.
A Avaliação é fundamental para a análise crítica
e sistêmica dos resultados da operação de Limpeza utilizada.
Nela habita a assimilação de pontos de melhoria contínua,
observação quanto às necessidades de modificações
de procedimentos devido a problemas de diminuição de desempenho,
aumento da produtividade operacional dos sistemas, alterações de
uso, dentre outros.
Sistema de gestão: nas atividades de limpeza profissional é a estrutura
organizacional composta de processos (normas técnicas), procedimentos (métodos
de execução de acordo com especificações), recursos
materiais (equipamentos, acessórios e produtos) e pessoal capacitado (treinado
e monitorado em todos os níveis).
O objetivo do Sistema de Gestão é planejar, desenvolver, programar,
verificar e manter as atividades destinadas ao atendimento de diretrizes, objetivos
e metas estabelecidas pela necessidade dos usuários dos serviços.
Gestão: é o conjunto de técnicas utilizadas para controlar
uma ou mais atividades operacionais, bem como um sistema completo ou parte do
mesmo, incorporada a outra.
Ciclo PDCA
O ciclo PDCA é uma ferramenta para um modelo de
gestão, e representa o caminho a ser seguido para que as metas estabelecidas
possam ser atingidas. É formado por quatro fases: planejamento, execução,
verificação e atuação corretiva.
Nas atividades de limpeza, deverá ser avaliado
pelo Departamento da Qualidade, com a função gerencial diretiva,
sendo determinante na conduta da unificação departamental.
(P) Planejamento: Esta etapa consiste em:
-
estabelecer metas evolutivas: com as determinações
das necessidades dos usuários, e novos segmentos a serem atendidos, com
mais especialização profissional da limpeza;
-
determinar o método para alcançar
as metas propostas: maior agressividade comercial, e profissionalização
operacional.
(D) Execução: É
a fase da execução das tarefas exatamente como foi previsto na etapa
de planejamento e coleta de dados que serão utilizados na próxima
etapa (verificação do processo). Na etapa de execução,
são essenciais a cultura da limpeza, educação e o treinamento
segmentado na operacionalização do trabalho.
(C)Verificação: Nesta etapa, a partir dos dados
coletados na execução, compara-se o resultado alcançado com
a meta planejada, para a avaliação da eficiência, eficácia
e produtividade. Interessante a apuração de resultados, via quantificação
numérica por meio de pontuação de 0 a 5.
(A) Atuação Corretiva: Consiste em atuar no processo
em função dos resultados obtidos. Existem duas formas de atuação
possíveis:
-
adotar como padrão o plano proposto,
caso a meta tenha sido alcançada (sem desvios sobre o proposto inicialmente,
desde a confecção do Plano de Trabalho);
-
agir sobre as causas do não atendimento
da meta, caso o plano não tenha sido efetivo (correções priorizando
o não aumento de disponibilidades financeiras).
O PDCA deve ser entendido como a síntese
das principais partes que compõem um sistema de gestão, que devem
ser expandidas e/ou complementadas em função do propósito
ao qual o mesmo é destinado. O conjunto destas fases, no entanto, pode
ser definido, simplesmente, como gerenciamento ou gestão, devido à
sua aplicação prática no controle de muitas atividades.
Para auxiliar nestas atividades, existem vários padrões que descrevem
o ciclo de vida de sistemas de gestão.
Escolhido o padrão, os líderes e gestores, através de um
planejamento consistente, que estabeleça prioridades e atribua responsabilidades,
autoridades, interfaces e recursos, estruturam o sistema de gestão almejado
através da definição e implementação de uma
série de ferramentas a fim de atender aos requisitos especificados pelo
padrão adotado.
Caracteriza-se, então, a interface de eficácia gerencial (“o
que fazer”), em alguns casos, já estabelecendo certos requisitos
quanto à eficiência gerencial (“como fazer”).
A estimativa da Limpeza pode seguir
os “ítens” abaixo descritos, abalizados nas finalidades principais
dessa Norma Técnica.
1- Identificação do
tipo de tática operacional utilizada no local, a fim de verificar quais
são as atividades programadas no cronograma do Projeto de Limpeza, seus
utilitários e o atrelamento com as características principais da
Limpeza institucional.
Este cronograma possibilita classificar as atividades empregadas (preditivas,
preventivas e corretivas) e analisar se o sistema de Limpeza propagado possui
caráter pró-ativo no diagnóstico de problemas e de reavaliação
do Projeto e procedimentos planejados.
E para não ser uma atividade sem destaque, neste ponto a importância
é demarcada, e quando falamos em Engenharia da Limpeza, num conceito mais
amplo, geral e irrestrito, preconizamos a importância crescente das atividades
de higienização sendo controladas por sistemas e medição
personalizados e efetivamente positivos.
Deve ainda o processo, acompanhar a identificação da estratégia
determinada, o estudo das questões relativas ao tipo de interferência
executada, feito através da verificação de históricos
e registros das atividades de Limpeza, além da análise das listas
de Projetos de ação programados anteriormente. Limpeza industrial
técnica faz parte do processo produtivo como um todo.
Essa interface entre as atividades do Projeto de Limpeza com as atividades do
Projeto de ação pode apontar para equívocos na estratégia
empregada no empreendimento, além de problemas no diagnóstico da
necessidade das interferências.
Importante também é a verificação das periodicidades
de serviços e atividades descritas no Projeto de Limpeza, pois isso evidenciará
eventuais não-conformidades com recomendações de fabricantes
e/ou Manual de Uso, Operação e Limpeza do empreendimento. Toda essa
análise preliminar da estratégia deverá ser validada pela
Vistoria Técnica preliminar, de acordo com o perfeito dimensionamento definido
desde as etapas iniciais da apresentação das propostas.
2- Integração entre o cronograma operacional e as expectativas dos
usuários, notados aspectos de necessidades, competência e disponibilidade
dos sistemas e elementos operacionais.
A integração entre a estratégia a ser usada na atividade
de Limpeza, a determinação das expectativas dos usuários,
ajustadas nos check-ups e averiguação da união entre as atividades
e intervenções realizadas com as necessidades da operação
dos sistemas, equipamentos e máquinas existentes no projeto de Limpeza
como um todo.
Exemplificando, um hospital tem necessidades de disponibilidade e credibilidade
de seus sistemas e equipamentos instalados diferentemente de uma indústria
ou escritório. Em um hospital, de forma genérica, os eventos de
paralisações não programadas ou deficiências operacionais
por falhas decorrentes da higinização ou limpeza, incorrem em riscos
maiores para as finalidades de uso deste empreendimento e seus usuários
do que em outros locais menos críticos. Portanto, preliminarmente, a estratégia
operacional da Limpeza a ser executada em um hospital possui uma “responsabilidade
maior” nas atividades preditivas e preventivas do que em um local residencial,
industrial ou escolar.
3- Supervisão ou Inspeção para a conferência
da execução, avaliando as determinações: técnica,
operacional, funcional, e as atividades visando a verificação do
Projeto de Limpeza, e seu respectivo Cronograma, com a estratégia existente,
identificando sempre os aspectos de qualidade operacional, e os procedimentos
de Limpeza empregados.
Essa Supervisão efetiva e real é um dos fatores mais importantes
no Julgamento e Check-up do resultado da Limpeza, porque nela residirá
a base de coleta de dados e informações sobre a estratégia
operacional empregada.
De nada adianta a análise isolada de números e dados estatísticos
sobre o cumprimento de ordem de serviços corretivos e preventivos, ou ainda
a análise de custos das atividades de Limpeza, se não houver uma
“avaliação física” dos sistemas empregados na
operação.
Para o sucesso de um Projeto, a Supervisão Operacional é obrigatória,
e esta deve ser realizada por profissional especialista, habilitado e que avalie
as operações, não importando se houver ou não encarregados
no local. A Supervisão deverá ser calcada na correção
de processos quando for necessário.
A inspeção visual é uma das técnicas de Supervisão,
de maior simplicidade em sua realização, e de menor custo operacional.
Depende do poder de observação do colaborador encarregado desta
função e da capacidade técnica do mesmo de compreender o
significado da falha se houver ou evento. Por sua simplicidade, não há
nenhum processo de higienização em que ela não esteja presente,
normalmente sendo utilizada na verificação de alterações
dimensionais, erros operacionais, uso de produtos inadequados, elevado consumo,
desgaste em tratamentos de pisos, contaminação de sanitários,
e outros.
Atualmente, existem no mercado câmeras digitais, de grande capacidade de
armazenamento de fotos e de excelente resolução gráfica,
que permitem a elaboração de relatórios, que demonstrarão
as ocorrências. Sendo um meio eficaz para registro, e confecção
de históricos de atividades, bem como de suporte para análise e
tomadas de decisão; podendo ser, ainda, utilizada como um meio para realização
de mapeamento de atividades e elaboração de laudos técnicos.
Neste sentido, a Inspeção Visual é um procedimento que ajuda
a detectar rapidamente os pontos críticos e/ou problemáticos de
um local, e por este motivo é um procedimento que exige conhecimento técnico,
objetividade e bom senso.
Temos defendido que a supervisão deve realmente realizar as tarefas supervisionais,
e um de seus principais objetivos, são os seguintes:
a) Avaliar se as atividades estão em conformidade com as normas aplicáveis,
e de acordo com o que foi determinado no Plano de Trabalho;
b) Controlar se os operadores de limpeza estão sendo treinados e desempenhando
adequadamente suas funções, com critérios de qualidade e
perfeição;
c) Analisar se os estoques mínimos estão sendo obedecidos, os EPI´s
sendo utilizados, e as eventuais sobras de produtos e acessórios devidamente
anotadas;
d) Elaborar a confecção dos relatórios de visita obedecendo
as determinações das gerências;
e) Promover encontros periódicos com os gestores, para colher opiniões
a respeito do desempenho das tarefas.
E neste prisma, o correto é haver periódicamente
uma Auditoria Técnica promovida pelo Departamento da Qualidade quando houver,
abrangendo desde as atividades até o sistema operacional da supervisão
e em alguns casos até sobre as respectivas gerências.
Para empreendimentos que possuam estratégia de
Supervisão de Limpeza Pró-Ativa, além dessa avaliação
de “check up clínico”, devem existir outras programadas pela
própria equipe de Gestão da Limpeza para as aferições
dos processos executados, a fim de se cumprir os procedimentos da estratégia
implantada no respectivo Plano de Ação.
Na Supervisão prévia, a Inspeção Operacional tem a
finalidade de avaliação sistêmica das atividades, e devem-se
observar questões relativas ao diagnóstico de conduta da situação
ou problema eventual.
O diagnóstico que ajusta esse tipo de Supervisão Técnica
irá favorecer os processos, pois se esta não os observar, a Limpeza
será incoerente com seus objetivos principais, quais sejam:
a- Realização das medidas necessárias
à conservação do local, com a Limpeza nas condições
normais de funcionamento, observando os aspectos de desempenho previstos, sua
vida útil e a melhoria ambiental;
b- Avaliação dos Planos ou Sistemas que eventualmente nascem
mortos, e deverão ter outro tipo de tratamento que não as atividades
de Limpeza. Por exemplo necessitando de manutenção, e nestes casos,
a limpeza poderá até minimizar eventuais agravamentos ou conseqüências,
mas não efetivamente sanar os problemas com origens em projetos e execuções
defeituosas.
Considerados os aspectos expostos, reforça-se a
importância de um diagnóstico correto sobre a avaliação
física da edificação, e dos locais a serem higienizados,
para que não sejam investidos esforços e valores equivocadamente,
além de incorrer em procedimentos de Limpeza ineficientes, conseqüentemente,
gerando retrabalhos.
4- Determinações técnico/operacionais,
consoante as não-conformidades constatadas na avaliação física,
observadas aa estratégia constante do Cronograma de Limpeza existente.
A complexidade da orientação técnica
é função fundamental, pois dela depende a elaboração
de planos de ataque às situações peculiares e sua criticidade.
Há casos em que é necessária a realização de
algum tipo de ensaio técnico, ou mesmo uma inspeção prévia
mais minuciosa, inclusive com vistas ao trabalho normal do próprio local,
para avaliação de processos e sistemas produtivos dos que solicitam
as atividades de limpeza.
Quando a anomalia é relacionada a problemas operacionais e peculiaridades
dos locais, a orientação técnica deverá abordar essa
problemática, eventualmente indicando a necessidade de alocação
de especialistas para cumprimento das atividades.
As orientações técnicas devem ser consideradas como:
-
Orientações corretivas não
planejadas;
-
Orientações corretivas planejadas;
-
Orientações preventivas e
-
Orientações administrativas
Observa-se que as orientações corretivas
podem ser planejadas ou não, tal que as planejadas estão incorporadas
ao Projeto de Limpeza que se valeu de dados sobre a operação preventiva
e frequências operacionais desejadas pelos usuários.
Atenção: nos levantamentos preliminares para elaboração
de orçamentos, as vistorias devem ser realizadas durante o expediente normal
do local. É necessária a completa participação nas
atividades, anotando “tudo” que ocorre no dia a dia do local.
Para isso, o gestor precisa possuir uma visão sistêmica dos processos
de limpeza, visualizar onde a organização deve chegar, e mudar,
se preciso for. Também deve dominar e aplicar as técnicas de solução
de problemas, manter as pessoas motivadas em prol de um objetivo e de uma filosofia
de trabalho comuns e reconhecer seus resultados.
Parece interessante, para os colaboradores e a empresa, mas o que o gestor ganha
por fazer todo o investimento acima? O poder de resolução das pessoas
aumenta, pois “todos nós” é melhor que apenas “um
de nós”.
5- Classificação das irregularidades verificadas
(criticidade), consideradas as possíveis causas, as origens e os mecanismos
de ação inerentes. Essa classificação é uma
avaliação quanto à gravidade ou criticidade, as conseqüências
ou tendências e, ainda, a pertinência de melhoria junto gestão
do Plano de Limpeza existente.
Para a classificação das anomalias quanto a sua criticidade pode-se
valer de metodologia preconizada nas Normas de Inspeção, ou dos
sistemas de supervisão registrada, de acordo com o método implantado,
priorizando os pontos determinantes de Gravidade, Urgência e Tendência.
A escolha do tipo de metodologia para a definição da ordem das prioridades
deve ser feita com atenção na avaliação física
determinada pela Vistoria preliminar, pois caso contrário, haverá
grande dificuldade na obtenção de resultados reais.
Em Projetos com grande número de problemas urgentes ou de imediata correção/adequação,
o emprego de metodologia com muitos níveis de classificação
de prioridades pode ser arriscado, pois haverá uma distinção
inerente do próprio método quando houver uma necessidade real de
ações paralelas para a resolução dos problemas constatados.
Nesta etapa, ainda, é importante vincular uma periodicidade para a implantação
da ação, pertinente ao nível crítico da classificação
feita.
6- Check-ups de documentos relacionados aos Projetos, para
complementar os dados coletados diretamente nos locais onde serão executados
os trabalhos, e identificar eventuais faltas de sintonia entre as necessidades
dos usuários e os sistemas de higinização (contratos com
empresas terceirizadas). A análise documental deve, também, observar
questões de ordem legal.
No caso da elaboração de contratos existentes ou novos junto a empresas
terceirizadas de limpeza, é importante observar:
-
O detalhamento completo e pleno do objetivo;
-
Elaboração dos procedimentos
via Plano de Trabalho;
-
Detalhamento frequências operacionais
a serem implantados;
-
Tempo de respostas às solicitações,
e que sejam coerentes com o programa e Projeto de Limpeza geral do empreendimento;
-
Tipo e formas de apresentação
de relatórios sobre os serviços prestados, com as avaliações
realizadas pelos gestores;
-
Índices de reajustes e prazos dos
mesmos;
-
Determinação de seguro de
responsabilidade civil e operacional;
-
Prazo de rescisão;
-
Equilíbrio técnico-comercial
do contrato (viabilidade e inexequibilidade).
Os contratos de terceirizadas devem:
-
Ser eficientes;
-
Ter uma boa relação custo
x benefício;
-
Ser gerenciados com ferramentas eficientes
de controle;
-
Ter indicadores de performance efetivamente
adequados à realidade operacional,
-
Ser geridos por matrizes de responsabilidade
consistentes, etc.
7- Avaliação das equipes
operacionais, quanto a sua formação, dimensionamento e capacidade
de cumprimento das atividades do Projeto e estratégia existentes.
Deve ser o critério mais avaliado, pois o dimensionamento envolve materiais,
produtos, equipamentos e acessórios, não sendo aceitos enganos,
pois por menor que seja o desvio de cálculo, em vários dias de operações
o acúmulo negativo de resultados será substancial, além de
marcar negativamente o empreendimento.
Temos notado na atualidade, muitos contratos sendo “chutados”, literalmente
na fase de fechamento, e a farta distribuição de descontos nos preços,
tem sido uma das causas de suicídio comercial. Vender e cumprir os contratos
são a forma de sucesso tanto para as terceirizadas quanto para as equipes
próprias de limpeza, e o dimensionamento correto implica na gestão
perfeita dos custos, para não extrapolar nas despesas operacionais.
Note-se que quando falamos em avaliação
de equipes, entendemos que nos referimos a empresas com conceitos progressistas,
norteadas pelo constante treinamento do pessoal, onde os contratos estejam sendo
“fechados” de acordo com os padões de modernidade e eficiência
exigidos na atualidade.
Evidente que as antigas premissas do “passar um paninho”, ou “dar
uma lavadinha”, ficam relegadas a um “terceiro” plano conceitual,
pois está na hora da evolução começar dentro de casa.
O mundo mudou, o conceito de sucesso foi redefinido, tanto pelas organizações
quanto pelos colaboradores, e devido à multiplicidade de tarefas e as exigências
operacionais, surge à necessidade de se trabalhar em equipe com coesão
e entendimentos múltiplos.
Para o crescimento da organização, deve haver empenho contínuo
e aperfeiçoamento de habilidades, além de conhecimento do desempenho
das ações, e domínio do clima entre os colaboradores, pois
insatisfação e desinteresse da equipe impactam na produtividade
e são repassados para a operação. Sem esquecer que os grupos
possuem necessidades próprias que perpassam, às vezes, as necessidades
individuais e que também precisam de um direcionamento.
A retenção de talentos é fundamental.
8- Previsão de custos
operacionais; este é um ítem de difícil avaliação,
tendo em vista que os custos da operação estão ligados ao
tipo de estratégia adotada, bem como às características dos
sistemas mencionados nos Planos de Trabalho.
É importante neste passo, identificar que tipo de rateio de contas é
utilizado no processo total, a fim de se verificar como as despesas e custos são
apropriados. Cada projeto em execução poderá ter seu próprio
modo de apropriar custos, o que dificulta análises comparativas de mercado,
ou seja, não é razoável se comparar projetos que não
tenham a mesma base de dados de rateio de custos, além de características
construtivas semelhantes, contemporaneidade, etc.
Portanto, há dificuldades em se aplicar a metodologia
de “Benchmarking” e esse item deve ser analisado “caso a caso”,
valendo-se do mercado como um dado de referência.
É importante a implantação da ferramenta (Supervisão
Registrada), e posteriormente ser auditada, pois dela surge o “conceito
de valor” do Projeto no mercado Institucional, em função da
qualidade julgada, e considerado o investimento feito neste Projeto sob o ponto
de vista da minimização da depreciação das máquinas
e equipamentos.
9- Avaliação da Qualidade da Limpeza realizada;
com um enfoque objetivo: sobre o que se pretende e o que se faz efetivamente para
alcançar o padrão desejado.
Com relação à Qualidade dos Serviços de Limpeza a
serem avaliados, cabe destacar o disposto nos Manuais de Normas e Procedimentos,
que define as atribuições básicas da gestão da qualidade
do sistema de limpeza, observando-se o seguinte:
-
Elaboração de compêndio
das normas e procedimentos para o sistema de limpeza, definidos como POP (Procedimento
Operacional Padrão);
-
Supervisão dos Serviços,
incluindo as etapas de documentação e registro, coleta de informações,
previsão orçamentária, planejamento, projeto e programação,
orçamento, contratação de mão de obra, e controle
de execução;
-
Avaliação da eficiência
do sistema de Limpeza empregado quanto:
- Ao tempo de respostas às solicitações;
- A relação entre custo e tempo estimado
e efetivamente realizado;
- A taxa de sucesso das intervenções e a
satisfação dos usuários das áreas limpas;
- Ao desempenho técnico e econômico;
- Ao acompanhamento do valor do Projeto ao longo de sua
vida útil, evitando aspectos de depreciação por falta de
acompanhamento evolutivo, obsoletismo, decrepitude, etc.;
- Acompanhamento da variação do Cronograma
Operacional ao longo da sua vida útil em função do resultado
do sistema empregado.
Independente da complexidade do Projeto, a avaliação
periódica do sistema Operacional eleito é de suma importância.
De nada adianta o investimento em um sistema em desacordo com o diagnóstico
inicial das necessidades do projeto, ou a colocação de capital em
um sistema que não desempenha conforme a necessidade do usuário.
É com a Avaliação do Sistema de Limpeza
que se garante uma gestão efetiva das operações, e se atende
à expectativa dos usuários, obtendo melhor desempenho no mercado
institucional da limpeza.
Evidente que quando se fala em terceirização de serviços,
pode-se afirmar que somente os de facilities (limpeza, conservação,
segurança) são aqueles terceirizados em todos os segmentos, seja
numa pequena clínica, num grande hospital, num shopping ou numa indústria.
Este, porém, é o setor onde predomina uma quantidade muito grande
de empresas de pequeno porte (mais de 10.000).
10 - Limpeza + Controle Ambiental = Sistema Ambiental: A
seguir apresenta-se como é estruturado um sistema baseado na gestão
ambiental das atividades de limpeza institucional.
Gestão ambiental nada mais é do que a forma como uma organização
administra as relações entre suas atividades e o meio ambiente que
as abriga, observadas as expectativas das partes interessadas. O foco da gestão
é a empresa e não o meio ambiente.
Somente através de melhorias em produtos, processos
e serviços serão obtidas reduções nos impactos ambientais
por eles causados, e fica evidente que o uso adequado de produtos não impactantes
ao meio ambiente, é o mínimo que se pensa, e a norma ISO 14001 é
uma forma de se demonstrar conformidade ambiental.
Entre os conceitos da adequação ambiental, podemos citar a harmonização
da gestão do sistema operacional com a promoção de desenvolvimento
sustentável, na melhoria de processos e racionalização do
consumo de produtos químicos, na diminuição do consumo de
energia, com o uso de equipamentos corretos.
A política ambiental deve ser definida e apropriada
à natureza, escala e impactos ambientais de suas atividades, incluindo
o comprometimento com a melhoria contínua e com a prevenção
da poluição. É recomendável que seja específica,
realçando a melhoria em relação aos aspectos e impactos significativos,
e para prevenir a poluição, devem-se levar em conta os seguintes
critérios, com algumas sugestões mínimas:
- Reutilização (de matérias primas
e de resíduos). Ex.: uso de discos de limpeza cortados e usados como fibras
quando gastos; ou aproveitamento de água de enxague para lavagem de pátios
e estacionamentos.
- Reciclagem (de acessórios e embalagens). Ex.:
com o aproveitamento de escovas para nova colocação de cerdas; ou
devolução de embalagens de produtos aos fabricantes.
- Redução (da geração de resíduos
através de melhorias no processo): Ex.: uso de produtos com baixo teor
de espuma, para minimizar processos de enxague, com economia de água e
energia elétrica.
Atualmente as organizações devem estabelecer
e manter procedimentos para identificar os aspectos ambientais de suas atividades,
produtos e serviços que possam ser controlados e sobre os quais se presume
que tenham influência, a fim de determinar aqueles que tenham ou possam
vir a ter impacto significativo sobre o meio ambiente.
É de suma importância que sejam estabelecidos objetivos e metas ambientais
documentados, em cada nível e funções pertinentes da operação,
devendo ser compatíveis com a política ambiental, incluindo o comprometimento
com a prevenção da poluição. As metas ambientais devem
estar alinhadas com as metas anuais do negócio, oriundas do planejamento
a longo prazo.
Sempre que possível, os objetivos devem ser específicos, mensuráveis,
condensados, racionais e com prazo para serem atingidos.
Para assegurar que a organização leve em conta os impactos significativos
na determinação de objetivos e metas, seria interessante que no
procedimento para identificação de aspectos e impactos ambientais,
sejam definidos como isto será feito, ou seja, como a administração
escolherá os aspectos e impactos, objetos do planejamento anual (Ex: todos
os relacionados com reclamação procedentes das partes interessadas,
todos relacionados a atendimento da legislação, redução
de consumo de energia).
Finalizando, esta proposta de denominar este conjunto
de atitudes e atividades como “ENGENHARIA DA LIMPEZA”, as equipes
de gestão, com supervisores, gerentes e diretores, trabalham continuamente
para monitorar o desempenho da qualidade efetiva, e a metodologia de trabalho
inclui tanto o acompanhamento individual de clientes ou usuários dos serviços,
com pessoal dedicado em suas bases, com a idéia central de atacar problemas
e otimizar o desempenho das operações e dos custos, de forma a assegurar
a maximização dos resultados.
Osmar Viviani
www.consulimp.net
http://consulimp.blog.terra.com.br.
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